Ouvidor: CIR debate solução para atendimentos da saúde na Santa Casa
- Redação
- 8 de dez. de 2018
- 4 min de leitura
Conselho Intergestor de saúde debate solução para atendimento aos municípios da Estrada de Ferro na Santa Casa de Catalão Suspensão no atendimento do Pronto Socorro da Santa Casa de Misericórdia de Catalão para municípios do entorno tem gerado debate acalorado entre secretários representantes do Conselho de Intergestores Regionais (CIR Estrada de Ferro) e o executivo municipal catalano.
Corte foi feito por meio de decisão da Secretaria Municipal de Saúde, gerida por Dr. Fernando Netto Lorenzzi. Com as mudanças no atendimento, desde o dia 1° de dezembro pacientes de cidades da região são encaminhados para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Na última quinta-feira (06/12), em Ouvidor, prefeitos e secretários de saúde estiveram reunidos com o secretário de saúde Dr. Fernando Netto para discutir uma possível solução ao impasse. Representantes do conselho estão cobrando pela ausência do atendimento alegando que tanto a UPA quanto os hospitais de suas cidades não tem estrutura para atender procedimentos de alta complexidade e casos de urgência e emergência.
A CIR é composta por gestores de saúde de 18 municípios, incluindo Catalão, que juntos possuem uma população total de aproximadamente 300 mil habitantes. As demais cidades são: Anhanguera, Caldas Novas, Campo Alegre de Goiás, Corumbaíba, Cumari, Davinópolis, Goiandira, Ipameri, Marzagão, Nova Aurora, Ouvidor, Palmelo, Pires do Rio, Rio Quente, Santa Cruz de Goiás, Três Ranchos e Urutaí. A menor população é de 1.093 habitantes, em Anhanguera, e a maior é de 96.836 habitantes, em Catalão.
A transferência dos pacientes para a UPA foi anunciada no dia 26 de novembro em reunião na UAB (Universidade Aberta do Brasil) sob a justificativa de dificuldades financeiras. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Catalão, a Santa Casa possui um orçamento mensal que atualmente é de R$ 316 mil para cobrir os atendimentos do hospital, teto esse que tem sido ultrapassado fazendo as despesas chegarem a R$ 500 mil. No ano passado a unidade teve um déficit orçamentário de R$ 1,1 milhão e neste ano já acumulou uma dívida de R$ 900 mil. “Para sanar os débitos a Santa Casa tem tomado empréstimos bancários, o que torna essa decisão necessária para não permitir que a situação se agrave ainda mais”, destacou o Dr Fernando Netto.
A posição dos secretários de saúde representantes do Conselho de Intergestores é contrária à Prefeitura de Catalão, sob a alegação de que o Ministério da Saúde já faz os repasses necessários para que a Santa Casa atenda os municípios da região. “Hoje existe um pacto para que seja feito atendimento de nível regional, cobrindo as demandas das cidades que não possuem estrutura local e o custo de procedimentos como internações, exames de laboratório e algumas especialidades médicas, é uma forma de custear o trabalho do hospital”, destacou Fauze Abdala da Silva Júnior, presidente do Conselho e secretário de saúde de Ipameri.
Na reunião da última quinta, Fauze Junior reforçou ainda informando que atualmente os municípios do grupo contribuem com um percentual de 24% do orçamento da Santa Casa, ficando a Prefeitura de Catalão responsável pelos demais 76%. No encontro participaram também Jane Lizandra Felipe de Souza e Hugo Deleon Carvalho Costa, Secretária Municipal de Saúde e prefeito de Três Ranchos, Francisco da Silva, prefeito de Anhanguera, Vilmar Dias Carneio prefeito de Nova Aurora, Onofre Galdino Pereira Júnior, de Ouvidor e Meire Lucia Pereira, secretária de saúde de Campo Alegre. A solução colocada em pauta foi sugerida pelo prefeito de Anhanguera, Francisco da Silva, e vista como uma alternativa viável pelos demais representantes. A ideia é criar uma única porta de entrada para os pacientes dos municípios que compõem a região e precisam ser atendidos em Catalão.
Definida a unidade de atendimento todos os recursos pagos através de pactuação seriam centralizados para cobrir as despesas geradas. Ao comentar a iniciativa, ele demonstrou preocupação com o desfecho do caso. “Já debatemos muitos e ainda não encontramos uma solução, a situação dos nossos munícipes é delicada, se tivermos atendimento de alguma urgência negado pode ser que aconteça algo grave com o paciente”, destacou. Em entrevista, Dr Fernando Netto informou que precisa levar a pauta para discussão com o Conselho Municipal de Saúde de Catalão e em seguida colocar a disposição da CIR para votação.
A previsão é de que essa reunião interna com os gestores catalanos aconteça até a semana que vem. Prefeitos e secretários que acompanham o caso pediram para que também haja participação de uma comissão da Santa Casa no encontro a ser agendado. “Nossa intenção é sim de melhorar o atendimento, mas a questão orçamentária é primordial. Faremos tudo de forma aberta e democrática para achar o caminho mais viável e poder atender todos os municípios”, disse Dr. Fernando. Os membros da CIR cobram uma solução para o caso até janeiro. Para Jane Lizandra Felipe de Souza, Secretária Municipal de Saúde de Três Ranchos, o corte no atendimento foi feito de forma súbita, deixando os municípios despreparados. “Fomos pegos de surpresa pela decisão e retirar esse atendimento hoje é deixar nossa população sem assistência, por isso precisamos de uma solução rápida, de acionar todas as instituições responsáveis”, disse.
O prefeito Hugo Deleon declarou concordar com a proposta de centralização e destacou a importância do atendimento realizado em Catalão. “Estamos abertos a discutir, sermos solidários e contribuir com a Santa Casa para chegarmos num consenso, o que não dá é para manter as todas as portas fechadas. Precisamos defender isso, pois a UPA não tem condições técnicas de atender os procedimentos de urgência e emergência”, encara Hugo. Exceto Catalão, todas as demais cidades que compõem a região da estrada de ferro são pequenas e a falta de estrutura para atender população torna o município uma referência, fato que ainda se agrava com a baixa arrecadação das prefeituras.
Para Vilmar Dias Carneio, representante de Nova Aurora, a iniciativa apresentada em reunião seria uma forma de otimizar recursos. “Nossa cidade arrecada R$ 750 mil por mês e tem que trabalhar dentro desse orçamento para gerir todas as áreas da administração municipal, tornando qualquer investimento um desafio. Poderíamos aperfeiçoar a aplicação dos nossos recursos de forma centralizada”, salienta o prefeito. Onofre Galdino, prefeito de Ouvidor, falou sobre a participação dos municípios no custeio do atendimento. “Se houver um novo consórcio nós queremos sim ajudar a Santa Casa, pois Catalão é nossa referência e não temos condição de levar pacientes para Goiânia ou outras cidades”, pontua. Na ordinaria foi apresentado o novo prefeito de Davinópolis Diogo Rosa juntamente com o secretario de saúde Winas Martins Borges e sua equipe. (texto e fotos: Carlos Duarte para o Portal Serra Dourada News).