O senador Ronaldo Caiado (Democratas) se comprometeu a criar a carreira de Estado de médico como uma ferramenta para regionalizar e interiorizar a saúde em Goiás, hoje uma das principais causas do colapso do setor em Goiás. A fala foi durante a abertura do 3º Congresso Goiano de Escolas Médicas, que reuniu mais de 500 acadêmicos de Medicina no Teatro da PUC.
“Hoje em Goiás a concentração é de 65% de médicos na capital. A necessária regionalização da saúde nunca saiu do papel e a situação se agrava a cada dia mais, pois os pacientes não conseguem ser atendidos”, alertou.
Ronaldo Caiado destacou que tramita no Congresso Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de sua autoria que cria a carreira de estado para os médicos atuarem no interior. Ela iria oferecer uma carreira com dedicação exclusiva, determinação de um piso salarial mínimo, estabilidade e aposentadoria.
“Para mudarmos a realidade da saúde em Goiás só tem um caminho: a interiorização da medicina. Os profissionais não têm garantias do governo para o exercício da medicina no interior. Mas isso vai mudar. Meu compromisso é colocar em prática, se me for dada a oportunidade já em 2019, a carreira de médico do Estado, nos moldes de uma PEC que tenho tramitando no Congresso. Vamos oferecer uma carreira com todas as garantias que vai levar o médico especialista para todas as regiões de Goiás”, afirmou.
Ronaldo Caiado disse ainda que isso vai permitir a “regionalização que tanto foi prometida nos últimos 20 anos por esse governo e sequer saiu do papel”. “Não foi por acaso que acumularam uma fila de 55 mil goianos à espera de uma cirurgia eletiva.“, disse.
Ronaldo Caiado lembrou que no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) o mantra mais repetido era de que faltavam médicos no Brasil. Mas, segundo ele, a realidade é outra: a concentração de médicos nos grandes centros urbanos, o que ocorre porque os médicos não têm garantias para exercer a profissão nos municípios do interior.
No discurso para os estudantes o parlamentar também abordou as ações eleitoreiras de governos populistas e a falta de um posicionamento ativo da classe médica na política como algumas das principais causas da degradação da Medicina no Brasil.
“Hipócrates dizia que o princípio fundamental da Medicina é que sem diagnóstico não há tratamento. Para falar sobre o futuro da Medicina é preciso que conscientizemos os jovens de como ocorreu o processo de degradação da Medicina, que resultou em menor prestígio da profissão, baixa remuneração e no avanço de projetos populistas que afetaram diretamente os médicos e o atendimento à população”, ressaltou Ronaldo Caiado.
O senador também demonstrou preocupação com um projeto que tramita na Câmara dos Deputados e que permitiria a implantação de cursos de Medicina a distância. “Se hoje a situação já é caótica, com a abertura indiscriminada de faculdades privadas, imagine então se essas estruturas forem aprovadas. Vejam o desatino e a ganância das pessoas que querem sugar o dinheiro dos estudantes”, lamentou.